você ri. (e eu não enxergo muito por dentro do mar luminoso), por Stefanie Loyola
e enquanto eles se movem dentro da água, a gente flutua em uma galeria de arte amadora.
o riso parece com aquele quando a gente se encontrou pela primeira vez.
a forma com que a gente tava entrelaçada foi igualzinho àquele show do Jorge Ben Jor que
o olhar era o mesmo dos corredores da escola.
a junção dos problemas que resultaram no fim de noite naquele local era uma metáfora perfeita pra nós juntas.
a água começa borbulhar e não existe só nós dentro dali. tem mais três ou quatro ou doze pessoas, os espirros de água tomam forma e de repente vejo duas grandes famílias. muita coisa é parecida e é difícil distinguir porque já é fim de tarde e a luz não é mais tão boa.
você pega na minha mão e me gira. eu não sei muito bem como cresceu tudo isso dentro de mim, mas toda vez que eu te olho cresce mais. a gente arrisca aquele passo que uma tem que estar inclinada e a outra ser a que segura. meu peito parece apertado, uma bagunça que só.
ele parece do mesmo jeito de quando eu confessei que eu poderia estar me apaixonando depois de ter fugido uma semana inteira de você.
ele parece do mesmo jeito de quando eu sabia que você estava angustiada, mas não conseguia falar sobre o que tava passando.
o som explode, e é nessa mistura que a gente tá dançando, entre gritos, um soco e purpurina jogada no ar. no meio de gente que eu não conheço e você também não, a gente se puxa. eu acho melhor a gente sair daqui. ainda pulando a gente vai saindo. eu também acho. surge um parque e uma igreja, a gente conversa em uma sacada pra lugar nenhum do lado do monumento do Brizola. hoje de noite vou ver meu filme preferido e chorar. você ri. não precisa de tanto, né. a gente passou aquela tarde no MARGS e em uma igreja bonita.
o som vai ficando baixinho
a gente sussurra e eu sei, você também.
os olhares continuam se atravessando.
eu também tinha certeza, só não sabia se era o que eu queria que queria ter certeza no querer daquilo que queremos.
Eu te puxo juntinho de novo enquanto eles começam a jogar água por tudo no clipe, na gente junto num cruzado meio reto meio você sabe como já que o reflexo que se fundiu a nós. E eu te olho no olho e você não diz muito além de que bom que não deu certo hoje a noite pra gente estar aqui. Eu faço passos lentos. A gente cola as testas. Eu sinto um por do sol rosa avermelhado pela fresta da nossa sombra de nós duas juntas. Eu assinto e falo baixinho quebomquebomquebom. Abro os olhos e tô boiando junto com o mar que não tá mais iluminado. E tá um azul claro da manhã de novo.

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