Conexão ou delírio?, por Mariana Marques
Estávamos todos dançando loucamente com os olhos fechados. Senti meu coração pulsar forte, abri os olhos, tudo girava muito rápido. A música entrava em mim, já não sabia diferenciar os sons. O grave entrava na minha cabeça, percorria meu corpo inteiro. Calor, muito calor. Avistei ela do outro lado da sala escura. Apenas uma luz piscando. Sede. Minha visão estava ficando turva. Decidi pegar mais uma cerveja. Passei por umas pessoas que estavam cheirando anestésico. Alguém me chama. Acho que tá na hora de parar com a bebida. Sorri com olhos fechados, mas quem disse que eu conseguia abrir os olhos? Tô bem, tô ótima. Continuei. Não sentia meu corpo, que delícia não sentir o corpo. Quanto tempo fazia que eu não ficava assim? A única coisa que me veio na cabeça naquele momento era “por que demorei tanto tempo para ficar assim outra vez?”. Peguei a cerveja. Batida da música entrava em mim, saía de mim. Senti alguém colocar um fone no meu ouvido, daí não sabia mais onde estava. Lembrei daquele cara que jurava que tinha sido abduzido numa “rave” que eu fui e que passou horas me chamando de ET e eu horas tentando explicar que não era. Senti alguém tirar um lado do fone. Cuidado do buraco. Sorri. Fiquei com medo de estar sendo abduzida. Alguém liga a luz e imediatamente apaga. A nave chegou para me buscar. Será que sou considerada alienígena para os alienígenas? Se eles têm cinco braços o normal é ter cinco e não dois, o que tu acha? Eu acho que tu tá ficando maluca, tá na hora de parar com as drogas. Capaz, tô super bem.

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