As atualizações estão prontas para serem instaladas, por Mariliza Tavares


O alarme havia sido acionado há muito tempo. Era como se o corpo já não mais existisse. A mente ficava com espaços em branco por alguns momentos, quando voltava a dar comandos eram as pernas que não suportavam o peso do corpo, o coração mal conseguia sincronizar as batidas, a fala pesava toneladas e saía da boca arrastada pela língua. Muitas vezes o sono não chegava em fases, ele simplesmente se instalava feito um “boa noite Cinderela” e o corpo permanecia em estágio de morte por longos períodos.
O grande responsável pelo seu surgimento é o trabalho de forma repetitiva, demandando grande competitividade e muita responsabilidade. Os sinais iniciais chegam sutilmente, como  pequenas dores de cabeça, algumas noites mal dormidas, alterações no apetite e progressivamente a intensidade vai subindo até as dores de cabeça tornarem-se insuportáveis, severos problemas gastrointestinais e o excesso ou falta de sono. A sensação é a de ter a energia física e mental sugadas e o corpo atingir o nível de perfeita exaustão.
Quando o colapso te impede de trabalhar, a sensação de ter tempo livre é estranha, como uma espécie de abstinência! A angústia de saber o que o momento seguinte reserva subtrai a liberdade, porém em meio à face do desespero, algo novo pode acontecer; aulas de canto, invasão da dança no corpo físico, alimentação saudável e os pequeninos pingos azuis de tinta na tela. A vida pode surgir na superfície e liberar os condenados.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

você ri. (e eu não enxergo muito por dentro do mar luminoso), por Stefanie Loyola

Chama pelo meu nome, por Fernanda Moreno

Conexão ou delírio?, por Mariana Marques